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Natália F. Canali
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Natália F. Canali
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há 2 anos
Porque a descriminalização do aborto é necessária?
Murilo Antunes Mata
·
há 8 anos
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Natália F. Canali
Comentário ·
há 2 anos
Porque a descriminalização do aborto é necessária?
Murilo Antunes Mata
·
há 8 anos
Texto totalmente doentio! Trata o ser humano como mera coisa, e não valoriza a vida que se apresenta desde a concepção. Fala em matar pessoas como se fala em o que vai comer no almoço. Não existe aborto, existe assassinato intrauterino. Causa traumas físicos e mentais na mulher que o pratica. Não importa o estágio de desenvolvimento do ser humano, uma única célula ainda apresenta vida, e isso a gente aprende na escola! Não importa em que estágio está, interromper uma vida será sempre assassinato. É preciso uma distorção absurda dos fatos reais para chegar a conclusão de que um ser humano em desenvolvimento não é em fato um ser humano.
Chorei e tremi de raiva e indignação ao ler tamanha ignorância em formato de texto.
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Adriano Sotero Bin
Comentário ·
há 8 anos
Porque a descriminalização do aborto é necessária?
Murilo Antunes Mata
·
há 8 anos
Prezado Murilo,
Com o máximo respeito, permita-me mostrar minhas discordâncias. Vou me ater apenas a alguns pontos para não perder o caráter sintético da minha exposição. Portanto, vou aproveitar algumas falas suas.
1 – A descriminalização do aborto é uma questão de saúde pública
"Ninguém é a favor do aborto.[....]"
O aborto não é uma questão de saúde pública, porque não estamos falando de uma doença ou algo parecido. Trata-se de uma vida humana. E, consequentemente, trata-se de uma escolha feita por dois indivíduos que quiseram realizar o ato sexual. Todos sabem que isso pode resultar na gravidez. Logo, assuma a uma ideia de responsabilidade presente nestes casos.
Ademais, ao citar estatísticas da OMS, tenho minhas dúvidas. Qual a metodologia adotada? Qual o período estudado? Qual o universo (quantidade de pessoas/locais) adotado como objeto de verificação)? E, mais importante, se estas são ações clandestinas, como ter certeza dos supostos dados estatísticos? Neste sentido, há um claro exagero na retórica.
Quem mais aborto são pessoas negras pobres? Baseado em quê é feita esta alegação?
"Que tipo de gente pode ser contra a vida de mulheres?"
Ninguém é contra a vida das mulheres. Não somos a favor é de retirar a vida de um ser humano em estado uterino.
Ao proferir este tipo de afirmação, há a incorrência de uma sofisma de falsa inferência.
2 – Motivações religiosas não interessam a questões coletivas
Com a devida vênia, parece-me uma ideia que se aproxima ao totalitarismo com regime político. Além de co meter a sofisma Ad Hominen e a sofisma do Espantalho.
Lembre-se que as pessoas que seguem uma religião, também são cidadãos e cidadãs brasileiras no usufruto do seu direito e dever de opinar e agir naquilo que acreditam ser melhor para a sociedade brasileira. Tal como você possui o direito de opinar, outros cidadãos também tem. Ou vamos descartar todos os cidadãos brasileiros que são católicos, protestantes, budistas, religião afro, muçulmanos etc. E os ateus que são contra o aborto, também serão desprovidos da cidadania brasileira?
O Estado laico não significa um Estado anti-religioso, posto que seria um Estado contra a livre associação de pessoas que comungam de uma mesma ideia. Deixemos isto enterrado com o nazismo e o comunismo soviético (e outros). Recordo ao autor que estamos em um Estado Democrático de Direito.
Ademais, quem institui qual a motivação é válida ou não para debate no espaço público? Por que as motivações alfa, beta, gama são válidas e as religiosas não são? Acredito que o nobre autor não esteja se arrogando a ter o encargo de escolher quais cidadãos possuem a motivação correta a priori para participar dos debates na arena pública.
3 – A maternidade é compulsória, a paternidade não.
Errado. A paternidade também é compulsória, tanto moralmente, quanto legalmente. Não sei se no seu círculo social, o homem que abandona seus filhos é bem quisto, mas no meu, isso não é aceito. No mundo jurídico, basta ver o dispositivo da pensão alimentícia e a jurisprudência em relação aos casos de paternidade. Logo, esse argumento não prospera.
4 – O feto não sente dor
Seria interessante o autor listar vários periódicos científicos nacionais e internacionais para comprovar esta tese. O periódico The Guardian não é abalizado para este tipo de pesquisa.
E, hipoteticamente, mesmo que o feto não sinta dor, isto não torna o ato moralmente admissível. Não é o fato de sentir dor ou não que serve como critério para julgar se um ato é correto ou não.
5 – A descriminalização não gerará a banalização do aborto
"Uma mulher não quer abortar como quem quer ir ao cinema." Sim, existem mulheres e homens que desejam o aborto como quem querem ir ao cinema.
Uma legislação também é fonte simbólica daquilo que uma sociedade deseja para orientar os seus membros como certo ou errado em suas condutas. A descriminalização do aborto orientará que é desnecessário o respeito à vida do ser humano mais vulnerável que existe.
6 – Métodos contraceptivos falham
E daí?
Voltamos à questão da responsabilidade sobre suas ações. O autor parece seguir a seguinte filosofia moral: tenha relações sexuais à vontade, esqueça as consequências, pois o "incômodo" feto pode ser retirado a qualquer momento.
Naturalmente, entendo que a moralidade mais acertada é a maturidade de assumir os resultados de seus atos.
7 – Ser contra o aborto não é ser pró-vida
"O discurso pró-vida é o menos lógico e mais cansativo de todos os discursos anti-aborto.
Não há nada de moralmente admirável em defender o nascimento de uma criança indesejada, que provavelmente chegará ao mundo sem aparato material ou afetivo adequados e crescerá em condições adversas. Se esta criança, pelo seu histórico de privações, sucumbir ao crime, este mesmo conservador pró-vida dirá que 'bandido bom é bandido morto'."
Ilógico é o discurso dos defensores do aborto. Defender uma liberdade inconsequente e, portanto, imatura e querer imputar o peso da irresponsabilidade no bebê é uma atitude completamente absurda.
Em outros termos, se não há o desejo de ter a criança (mas priorizou-se o desejo sexual), logo posso tirar a vida do bebê. Esse é pensamento que se quer salutar???
No mais, vamos à algumas questões complementares.
“O que diz a biologia?”
Seria interessante citar as fontes contra e a favor da ideia posta.
“O que diz a Filosofia?”
Para a filosofia, uma vida se torna um individuo a partir do momento que o mesmo possui mente [...]
Novamente, é interessante citar as fontes contra e a favor da ideia posta.
Posso afirmar que as reflexões filosóficas não são unânimes. A Filosofia traz uma enormidade de posições.
“O que diz a embriologia?”
Seria interessante citar as fontes contra e a favor da ideia posta.
“Embriões e individualidade”
"Vários estudos nos mostram que em media o sistema nervoso e cérebro de embriões apenas são ativados em períodos acima dos quatro meses de gestação [...]."
Seria interessante citar as fontes contra e a favor da ideia posta. Ademais, mesmo que consideremos hipoteticamente a tese alegada, o aborto continua sendo moralmente inadmissível. É de clareza solar que é a constituição e evolução de um ser humano que se realiza no estágio uterino. Não é um cachorro, elefante ou um pedação de carne. A vida humana não pode ser decidida por questão de horas, minutos ou meses. A realidade e a lógica impõem um problema nesta hipótese. Por exemplo, por que este “amontoado de células” é conceituado, automaticamente, como um ser humano após, digamos, três meses e dois dias? Ou um mês e quarenta dias? Perdoe-me a ironia, mas parece um edital de concurso público: somente será aceita a inscrição, o pagamento (e o aborto) até 23h59 do dia X. Seria engraçado, se não fosse trágico. Deste modo, o aborto não pode ser admitido.
“O que diz a ciência em geral?”
Tal como a Filosofia, a Ciência é um campo muito vasto. É interessante citar as diversas fontes existentes.
Por fim, como tese de fundo do texto, ao afirmar que a vida humana começa como a consciência de si, há o cometimento da sofisma de petição de princípio. Ou seja, ao afirmar que a consciência é o critério para definir o início da vida humana e estabelece as conclusões a partir desta premissa que por si só é bastante discutível. Desta maneira, não há uma fundamentação sólida para defender o aborto.
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